quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ENTREVISTAS (10) - HUGUES BARTHE

Cidadão francês, Hugues Barthe, nasceu em Montbéliard a 16 de Julho de 1965, residindo actualmente em Rouen. Estudou Belas Artes, tendo-se diplomado em Angoulême. Com um grafismo peculiar, os seus álbuns são sempre e corajosamente autobiogáficos. Considera a Banda Desenhada como o "meio ideal de expressão". Já escreveu livros para crianças, onde se inclui um volume dedicado ao navegador português Fernão de Magalhães. Não se preocupa em ser editado pelas "grandes editoras", pois a sua obra vai crescendo e sendo muito aplaudida e, por vezes até, premiada.
Em Março próximo, estará editado o seu sétimo álbum, "L'Automne 79". Os seis anteriores, foram: "Jean-François Fait de la Résistance" (2004), "Miss Come Back" (2006, em colaboração com Caro), "Le Petit Lulu" (2006), o premiado "Dans la Peau d'un Jeune Homo" (2007), "Bienvenue dans le Marais" (2008) e "L'Été 79" (2011).
Pois... já podemos anunciar: Hugues Barthe estará presente, por Abril, no Salão MouraBD 2013, com um panorama da sua obra-BD, pelo que em merecida homenagem, receberá o "Troféu Balanito de Honra" para a categoria de desenhista estrangeiro.
Assim sendo, aqui se justifica para já, a entrevista que se segue, com algumas questões e respostas repescadas da entrevista que concedeu ao semanário "Alentejo Popular" a 22 de Dezembro de 2011.
BDBD - És o desenhista de honra estrangeiro a ser homenageado no Salão Internacional MouraBD 2013. Que pensas deste convite?
Hugues Barthe (HB) - Tal gesto dá-me um grande prazer. Espero que tal venha a incitar algum editor português a traduzir e publicar as minhas bandas desenhadas.
BDBD - E no entanto, tu já conheces Portugal, não é verdade?
HB - Sim, há alguns anos, visitei Portugal em férias. Conheço Lisboa, que muito apreciei.
BDBD - No teu sexto álbum, "L'Été 79" (O Verão de 79), confundes os teus leitores pois, embora te mantenhas autobiogáfico, a obra é ferozmente dramática. Porquê este registo?
HB - Quis agarrar um tom e tema diferentes. Quis fazer um livro que não fosse baseado na homossexualiade, para mostrar que podia oferecer outra coisa e para evitar ser demasiado catalogado e sujeito a repetir-me... Se este livro, "L'Été 79", é ferozmente dramático, é porque o tema assim o impõe. Não era possível fazer humor sobre a história de uma mulher sofrida, tanto mais quando se tratava da minha mãe. Nesta linha, "Le Petit Lulu", era já muito dramático, mesmo contendo algum humor.
BDBD - Em Março próximo, aparecerá o teu sétimo álbum, "L'Automne 79", continuação de "L'Été 79". Esta narrativa acaba aqui ou vai continuar com mais alguns tomos?
HB - "L'Automne 79" é o segundo e último tomo desta história autobiogáfica. Já trabalho em dois outros livros que serão muito diferentes.
BDBD - Nos teus primeiros cinco álbuns, misturas os teus dramas, as tuas angústias, os teus momentos cómicos e a tua frontalidade sexual. Hoje, és um auto-divertido ou apenas um sofredor?
HB - Em todos os meus projectos, há histórias dramáticas e divertidas, com ou sem personagens "homo". Continuarei a fazer coisas muito variadas.
BDBD - A homossexualidade, tão corajosamente revelada na tua obra, na tua França, ainda é um "clima" aflitivo? As dominadoras religiões serão responsáveis por esta caprichosa situação?
HB - A minha vocação é, sobretudo, contar histórias. Para mim, é o melhor meio de tentar fazer evoluir a sociedade. Não me preocupo muito com a religião. Mas, com efeito, a Igreja não evoluiu em nada em questão de costumes. É pena! E até conheço padres em França que são homossexuais, que são obrigados a esconder-se e a mentir para eles próprios. Estes casos não são nada raros!...
Prancha de "Dans la Peau d'un Jeune Homo"
BDBD - E a tua obra editada em português, gostarias? Tu falas de ti próprio, mas também tens a força digna de obrigar as pessoas a encontrarem-se e a se compreenderem...
HB - Gostaria imenso de ser traduzido e publicado em português e em várias outras línguas. Mas isso não depende de mim. E confesso que gostei muito das tuas palavras quando me dizes que "forço" as pessoas a encontrarem-se e a se compreenderem... É isso, exactamente, que quero fazer.... Até breve Portugal, até breve Moura!


O primeiro álbum de Hugues Barthe

    
Prancha de "Le Petit Lulu"
Prancha de "Bienvenue dans le Marais"

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CONCURSO BD & CARTUNE - MOURA 2013

E aqui está mais uma grande notícia relativa ao Salão Moura BD 2013: o Concurso de Banda Desenhada & Cartune (que vai já na sua 16.ª edição) continuará (apesar da crise) a realizar-se. 
O prazo de entrega de trabalhos é curto (pouco mais de um mês) mas o tema é livre e os prémios aliciantes. Mãos à obra, portanto!






quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

AÍ ESTÁ O MOURA BD 2013!


Eis uma grande notícia para os apaixonados pela 9.ª Arte! Está de regresso o Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura, cuja 18.ª edição ocorrerá entre 19 de Abril e 1 de Maio próximos.
O leque de autores homenageados engloba os portugueses Vassalo de Miranda e Zé Manel e o francês Hugues Barthe (do qual publicaremos uma entrevista nos próximos dias), que receberão os já tradicionais Troféus Balanito.
Quanto a exposições, para além das individuais dedicadas a cada um destes três autores, temos, para já garantidas as seguintes: "Eça de Queiróz na BD" e "Centenário de Willy Vandersteen" (ambas comissariadas por Luiz Beira), "Comic 21" (colectiva de autores granadinos), "Saramago em Caricaturas" (com trabalhos de autores portugueses e espanhóis), e a apresentação dos melhores trabalhos do 16.º Concurso de Banda Desenhada & "Cartoon" e do 14.º Concurso Escolar de BD.
Quanto a edições, mantém-se a aposta nos Cadernos Moura BD, com um número dedicado a Vassalo de Miranda. 
Também a exposição de Zé Manel terá direito a catálogo numa produção da Humorgrafe/Osvaldo de Sousa. 
Há, também, a possibilidade de, durante o salão, as edições Polvo fazerem o lançamento de um álbum de Hugues Barthe, embora ainda não possamos confirmar esta notícia.
Voltaremos a este assunto proximamente, com mais detalhe. 
Mais informação poderá ser consultada no site oficial do salão:
http://www.mourabd.pt/index.html

 
Um aspecto da montagem do último salão... (foto: Orlando Fialho / CM Moura)


...e o mesmo espaço depois de inaugurado.  (foto: Orlando Fialho / CM Moura)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (12): GASTON LAGAFFE

Se houvesse um pódio glorioso para personagens da BD que nos tiram completamente do sério e nos projectam para as gargalhadas, a medalha de oiro seria, sem dúvida, para Gaston Lagaffe; a de prata, para o Rantanplan (o anti-cão da série "Lucky Luke"); e a de bronze, para o Marsupilami. Este só ganha o terceiro lugar porque não é desmiolado... Todos os outros chegam à meta dentro do tempo, mas sem direito a pódio.
André Franquin
Por uma ideia de Yvan Delport, o grande e saudoso mestre André Franquin (1924-1997) criou este inacreditável personagem, para o qual veio a ter a colaboração de Jidéhem (aliás, Jean De Maesmaker).
É no n.º 985 da revista "Spirou", a 28 de Fevereiro de 1957, que surge o "nosso" Gaston na série "Spirou e Fantásio". Aparece de um modo vagamente modesto, tímido e "secundário". Apresenta-se para trabalhar na redacção da revista "Spirou" (Ed. Dupuis), pois alguém (que ele já não sabe quem nem porquê) lhe disse para o fazer!... Fica encarregue da manutenção, do correio e - imagine-se! - da vigilância dos extintores, donde não faltarão os incêndios que provocará.
Prancha de "Le Genie de Lagaffe"
Como é frequente em muitas séries-BD, o "secundário", neste caso Gaston Lagaffe, cedo ascendeu a um personagem vedeta, a ponto de vir a ganhar a sua própria série. E, à medida que ia aumentando a sua galopante
popularidade, também foram aumentando as suas trapalhadas, as suas broncas, as catástrofes que ia provocando, engrossando também uma diversa galeria de impagáveis personagens que, por sua vez, o irão secundar.
Destes, salientamos alguns, talvez os mais fundamentais.
Para além de Spirou, Fantásio e do Sr. Dupuis, temos: Jeanne, a terrível apaixonada de Gaston; o Sr. Mesmaeker, sempre furibundo, pois nunca consegue assinar um contrato devido às broncas de quem se sabe; o polícia Longtrin, sempre enganado por Gaston, que o deixa todo aparvalhado; Bertrand Lebévue e Jules, amigos e cúmplices do herói; Freddy, o Dedos de Fada, um ladrão que jamais consegue roubar a redacção da "Spirou", pois esbarra sempre com as "armadilhas" que Gaston, inadvertidamente, por lá deixa espalhadas...

Gaston e alguns dos principais personagens da série
Por sua vez, Gaston Lagaffe, é um amante da Natureza, especialmente a zoológica, pelo que é um doentio protector dos animais... Não são nada poucos os que, ingénua e empenhadamente, alberga no seu gabinete (às vezes, só temporariamente): Dingue, o astuto e cúmplice gato; uma gaivota caprichosa e também cúmplice; o ouriço Kissifrot, o ratinho Cheese, peixinho Bubulie, abelhas, um papagaio, uma lagosta ou lavagante (que ele salvou de ir parar a um horroroso escaldanço), um camaleão, um cavalo, etc. Até uma vaca que ele recebeu de presente de um tio provinciano!... Só escapa o elefante Marajá, que ele vai com frequência visitar ao Zoo, para jogarem ao braço-de-ferro. É uma loucura!
A vaca que Gaston albergou no seu gabinete
Lagaffe é bondoso, prestável e altamente dorminhoco. Tem o seu velho carro Ford T e adora inventar coisas incríveis e "assustadoras", donde o "Gaffophone" (já que adora música) e também é amante da culinária, com as suas intragáveis receitas, como o "bacalhau com morangos"!...

Na Bélgica e em França, a Filatelia não se esqueceu dele.
O Cinema de Animação já o abordou e tem ideias no ar. No entanto, em 1981, Paul Boujenah, realizou a longa metragem "Fais Gaffe à la Gaffe!", com Roger Miremont, Marie-Anne Chazel, etc.
Em Portugal, os primeiros (quatro) álbuns deste herói-série, foram publicados pela Editora Arcádia. Depois, foi a vez da Meribérica-Líber. E por fim, editados pela Asa/Leya associada ao jornal "Público".
No entanto, diversos álbuns continuam inéditos entre nós... Aguardemos tal atenção e continuação.

Nas primeiras aventuras, Gaston apresentava o cabelo curto mas já vestia a sua inconfundível camisola verde.
O "Gaffophone", a mais famosa das invenções de Lagaffe

Uma prancha onde Gaston não aparece mas os disparates continuam presentes...

 
  

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (26)

LE VOYAGE DU SAGITTAIRE - Com edição Delcourt, "Le Voyage du Sagittaire", é o nono tomo da tão interessante quão intrigante série "Zodiaque". Como norma nesta série, o argumento é de Corbeyran e a capa de Thomas Ehretsmann. O grafismo, desta vez, é do italiano Luca Malisan.
Curiosamente, este é o álbum onde o personagem central se conota acentuadamente com as características astrológicas do signo a que pertence, simbolizado pelo centauro: não bastando ter o apelido Chevalier (Cavaleiro), Vincent gosta de andar a cavalo, de praticar tiro ao arco, tem o poder de voltar atrás no tempo e o de curar os males dos outros. Mas não todos: não cura a morte, pois uma morte salva implica outra no seu lugar...
Aqui se trata da narrativa de uma tragédia amorosa, bem capaz de causar as devidas emoções aos leitores.

OSÍRIS - É o primeiro tomo de uma das séries curtas (até agora, apenas três álbuns), "Kéos", imaginadas por mestre Jacques Martin e aqui, com o notável grafismo de Jean Pleyers.
Tudo se passa no Antigo Egipto, com os seus enigmas e as suas irresistíveis seduções. Uma bela visita ao passado, com a História recontada com alguns pontos de vista (ou interpretações) pessoais de Martin. A ler!
A edição é da catalã NetCom2 Editorial, que recentemente passou a publicar também em português a BD franco-belga, para colocação de vendas em Portugal e no Brasil. Aplausos!

LA GUERRE DES BOULONS - Em Maio de 1968, o saudoso Dupa (aliás, Luc Dupanloup), criou a série bem divertida "Cubitus", esse gordo canino, tão matreiro como asneirento e sentimental. A série chama-se agora "Les Nouvelles Aventures de Cubitus", sendo "La Guerre des Boulons" o oitavo tomo.
Com edição Lombard, tem argumento de Erroc (aliás, Giles Corre) e traço de Michel Rodrigue.
Alguns outros personagens têm entrado na série, donde, e desde o princípio, Semáforo (o "dono" e companheirão humano), o gato Senechal (ora adversário ora aliado de Cubitus) e outros mais, como os que participam neste álbum: o caracol Médor e o anãozinho de barro de jardim, Helmut.
Ora toca lá a soltar essas gargalhadas!

MEXICO'N CARNE - Com edição Lombard, "Mexico'n Carne", é o terceiro tomo da série "Narcos", com argumento de Emmanuel Herzet e traço de Giuseppe Liotti.
Violenta e impiedosa, a série relata-nos as aventuras de dois agentes secretos, Enrico Riva e Matthew Deadrick.
Aparentemente rivais e com modos paralelos de actuação, estão porém juntos no combate à produção e ao tráfico da droga exportada a partir de certos países da América Latina, como o México e a Colômbia.

ULM.1805 - A 20 de Outubro de 1805, Napoleão Bonaparte, aceitou a rendição das 23 mil tropas austríacas comandadas pelo infeliz general Karl Mack. Este esperou em vão o apoio das aliadas tropas russas sob o comando de Mikhail Kutuzov... As tropas francesas tinham em coligação, forças militares da Baviera. Napoleão contava ainda com os seus notáveis generais, como Ney, Loison, Murat, Soult, Saint-Cyr, Massena, Lannes... Estratega por excelência, organizou bem as escaramuças de "diversão" para confundir os austríacos, vindo tudo a culminar com a rendição em Ulm. Mas tudo isso teve a inteligente e ardilosa actuação do cidadão Karl Ludwig Schulmeister (1770-1853), totalmente devotado a Napoleão, pelo que é cognominado de "o espião do Imperador".
Pela Joker Éditions, o álbum "Ulm.1805", é o primeiro tomo da série "L'Espion de l'Empereur", com argumento do francês Bruno Falba e grafismo do sérvio Sibin Slavkovic, onde se narram as acções deste notável personagem a soldo de Napoleão Bonaparte. Obviamente, aconselhamos a leitura desta série.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

LITERATURA E BD (1) - A OBRA DE EÇA NA BANDA DESENHADA

Neste recém-nascido 2013, apesar do vampirismo arrogante e impune da Troika e desse pessoal que diz que nos governa(?!...), há sectores da nossa Pátria que ainda se sacrificam (sabe-se lá com que amarguras) por e para fazer obra. É o caso cultural da Banda Desenhada. Assim, os sempre tão esperados e concorridos Salões BD, estão a programar-se: Moura, Beja, Viseu e Amadora. Até consta que o da Sobreda (1982-2006) vai renascer...
Há algum tempo, e em boa hora, os devidos responsáveis de Moura e de Viseu, coligaram-se para o todo ou para certos espaços específicos. Daqui, por exemplo, o espaço "A Obra de Eça de Queiroz na Banda Desenhada", vai estar patente em Moura (Abril e Maio) e em Viseu (Agosto ou Setembro). É um glorioso "luxo" didáctico-cultural que Eça bem merece!
Eça de Queiroz (1845-1900)
Escritor mundialmente conhecido, traduzido e lido, muitas vezes tão inteligentemente mordaz, José Maria Eça de Queiroz, nasceu a 25 de Novembro de 1845 na Póvoa de Varzim e faleceu aos 54 anos, em Paris, a 16 de Agosto de 1900.
Romancista, cronista e poeta, teve cargos políticos, como o de embaixador no Brasil, Cuba e Inglaterra.
Algumas das suas obras têm sido adaptadas ao Cinema, ao Teatro e à Televisão, mormente em Portugal, Brasil e México.
E pela Banda Desenhada? Pois pela admirável 9.ª Arte, aqui vai "tudo" o que conseguimos apurar:
O grande mestre português Eduardo Teixeira Coelho (muitas vezes assinou apenas como ETC, as iniciais do seu nome), foi o que mais adaptou textos de Eça: "A Aia", "A Torre de D. Ramires", "O Defunto", "O Suave Milagre", "O Tesouro" e "São Cristóvam" (esta, para nossa tristeza, ficou incompleta). As completas foram também editadas no Brasil com capas do também nosso e saudoso Jayme Cortez.
Prancha de "O Defunto", por Eduardo Teixeira Coelho
Para além destas versões estreadas na revista "O Mosquito", algumas foram reeditadas em álbum pela Futura e pela Vega.
"Contos" de Eça de Queiroz (Ed. Vega)
Com edição da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, foi editado o álbum "O Defunto" com grafismo de José Morim.
Também em Portugal, Joaquim Oliveira Ribeiro, arrojou-se (e bem) a adaptar "O Primo Basílio" (que ainda não terminou por razões de saúde) e Eugénio Silva, mal terminou a biografia de "José do Telhado", logo encetou a adaptação do conto queiroziano "A Perfeição". 
Prancha de "A Perfeição", numa adaptação de Eugénio Silva.
Ainda em Portugal, José Manuel Saraiva, adaptou o conto "Singularidades de uma Rapariga Loira".
Baptista Mendes, em duas pranchas, desenhou "O Chinês e a Cobra", texto extraído de "Cartas Familiares", que foram publicadas no "Jornal do Exército" em Março de 1979.
É do Brasil que nos chegam exemplos de outros textos de Eça de Queiroz na BD, às vezes conotados com a Argentina e a Itália. Assim, temos:
"A Relíquia" (Ed. Conrad), numa espantosa e ousada adaptação, com o grafismo de Francisco Marcatti...

"A Relíquia", por Francisco Marcatti
  
... e "O Tesouro" (não publicado, existindo apenas na Internet) por Luiz Marcelo
Nos anos 50, a revista brasileira de Banda Desenhada "Romance Ilustrado", no seu n.º 6, editou "A Ilustre Casa de Ramires" que, supomos, seja do italiano ou italo-brasileiro C. Raineri
Outra glória que nos chegou de além-Atlântico é a muito interessante versão de "O Mandarim", publicada no n.º 1 da brasileira "Revista Ilustrada" (em 1956), com grafismo do argentino Enrique Vieytes e capa do falecido ilustrador brasileiro Aylton Thomaz.
Versão de "O Mandarim" (Revista Ilustrada, N.º 1), com capa de Aylton Thomaz
Já são belos e emotivos exemplos em que a Banda Desenhada honra o nosso grande e atento escritor. São exemplos destes que estarão expostos nos Salões BD de 2013, em Moura e em Viseu... E quiçá, também façam uma
"visita" pela Póvoa de Varzim...
Registamos aqui o nosso agradecimento sincero a quem nos apoiou nesta pesquisa: Dr. Juarez Antonio Leoni (Brasil), Drª. Armanda Patrício (irmã de Joaquim Ribeiro), Carlos Gonçalves, Jorge Magalhães, José Manuel Vilela, Leonardo De Sá, Baptista Mendes e Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Muito e muito obrigado.
E, como citou Eça quando Portugal sofria uma crise semelhante à actual: "Isto já não vai com palavras; só vai com umas bengaladas!"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (11) - HÄGAR, THE HORRIBLE

“Hägar, the Horrible” (em português "Hagar, o Horrendo", "Hagar, o Terrível" ou ainda "Hagar, o Abominável") é uma série humorística, criada pelo norte-americano Dik Browne e publicada pela primeira vez em 4 de Fevereiro de 1973. A série é distribuida pela King Features Syndicate e publica-se, ainda hoje, com enorme sucesso, em inúmeros jornais em todo o mundo.
Dik Browne e os filhos, Bob e Chris
Logo no ano seguinte ao da criação da série, Dik Browne passou a contar com a ajuda do filho, Chris. Esta parceria durou até 1988, ano em que Chris substituiu definitivamente o pai (que viria a falecer pouco tempo depois). 
Entre 1988 e 1995, Chris ocupou-se da série sozinho, escrevendo os argumentos e desenhando as tiras diárias e as pranchas dominicais. Depois, os textos passaram a ser escritos por outros autores, sendo Chris Browne unicamente responsável pelo traço.
O personagem principal, Hägar, é um Viking de pensamento machista e bem pouco atento à higiene pessoal. Embora seja um guerreiro temível (um dos seus grandes prazeres na vida é invadir países como a Inglaterra), em casa as coisas são bem diferentes e Hagar está constantemente envolvido em discussões (das quais sai muitas vezes a perder) com a esposa, Helga, uma mulher de armas, sempre ocupada com as tarefas domésticas, que - em vão - tenta ensinar a Hagar coisas simples como lavar as mãos ou limpar os pés antes de entrar em casa.
Hägar e Helga têm dois filhos: Hamlet (um rapaz que é o contrário do pai - inteligente, limpo, educado e sensível - e para quem ser Viking é um tremendo aborrecimento) e Honi (uma rapariga bonita, ingénua e curiosa, apaixonada por Lute - um bardo sem talento a quem todos abominam a voz, embora ele se considere um génio).
Outro nome a reter é o do melhor amigo de Hägar, Eddie Sortudo (ou Felizardo). O nome é uma ironia já que Eddie é o menos inteligente e o mais azarado dos personagens da série. Usa um capacete em forma de funil ao contrário e com isto está tudo dito…
Em Portugal, para além da publicação de parte da série, em jornais e em revistas de banda desenhada, a "Livros Horizonte" editou, em 1993, o álbum "Hagar Conquista a Europa".

Capa do álbum "Hagar Conquista a Europa"
Prancha de "Hagar, o Abominável" publicada no n.º 63 do Mundo de Aventuras (V série) 
Em 2008, Manuel Caldas lançou, através da sua Librimpress, dois volumes correspondentes ao conjunto completo de tiras e pranchas dominicais dos primeiros anos da série (1973 e 1974).
Em 1989, "Hagar, the Horrible" chegou à televisão através de um desenho animado produzido pela Hanna-Barbera, King Features Entertainment e Hearst Entertainment Inc.


"Hagar, the Horrible" - desenho animado de 1989
A qualidade do trabalho de Dik e Chris Browne em“Hagar, the Horrible” foi reconhecida através da atribuição de distinções como o Prémio de Tira de Jornal de Humor (outorgado pela Sociedade Nacional de Cartunistas dos EUA, em 1984 e 1986), o Prémio Rouben (em 1973) e o Prémio Elzie Segar (também em 1973).
“Hagar”, uma série que comemorou há poucos dias 40 anos de existência e que merece uma leitura atenta.
CR