domingo, 28 de julho de 2013

PELA BD DOS OUTROS (7) - A BD DA BOLÍVIA

República sul-americana, a Bolívia tornou-se independente da Espanha a 6 de Agosto de 1825. Teve sempre uma história muito conturbada, tanto internamente como com os países vizinhos. Daí, inclusivé, o ter perdido a sua costa banhada pelo Oceano Pacífico, mas acertou com o vizinho Peru, a 24 de Janeiro de 1992, usufruir de um território alugado por 99 anos, o Boliviamar, na zona da cidade de Ilo. A capital é La Paz. Os idiomas oficiais são: castelhano, quíchua, aimará e guarani.  A moeda é o boliviano.
Rica em minerais, sobretudo o estanho, também marca pontos altos na arte, culinária, literatura e música. Pelo desporto, o futebol é considerado o desporto nacional.
Culturalmente, salientamos alguns valores notáveis: o actor António Peredo, o pintor Miguel Alandia Pantoja, os dramaturgos Nataniel Aguirre, Marcos Malavia e Gustavo Adolfo Otero, os novelistas Yolanda Bedregal, Jesus Lara e Gustavo Suárez, e poetas como Óscar Alfaro, Matilde Casazola, Gregório Reynolds, Daniel Calvo, etc.
E chegamos à intensa Banda Desenhada (Historieta) Boliviana, donde uma grata diversidade de publicações e o já notório Festival Internacional de Historietas "Viñetas Con Altura".
Cartaz da 11.ª edição do Festival "Viñetas con Altura", que se realizou recentemente em La Paz.
Dos seus criadores, para além de Efraín Ortuño (que foi marcante, mas essencialmente um grande pintor), indicamos alguns dos mais notáveis valores: Frank Arbelo (embora nascido em Cuba), Alejandro Salazar (vulgo, Al- Azar), Marco Guzmán, Susana Villegas, Joaquin Cuevas, Álvaro Ruilova, Pablo Cildoz, Jorge Siles, Fernando López e tantos e tantos outros.
Susana Villegas, Frank Arbelo e Álvaro Ruilova, três nomes importantes da BD boliviana
Arte de Susana Villegas
Mas há ainda dois casos especiais: Damián Moreno (vulgo, Madmian) e o seu amigo argumentista Álvaro Urdininea (Urtika, para os amigos), criaram um encantador herói (com revista própria) que cedo ganhou imensa popularidade: "El Lustra". É um garotito (que mais parece um pequeno robotengraxador nas ruas de La Paz, que faz os seus comentários com uma ironia ferozmente desconcertante. Um mimo!
"El Lustra", criação de Madmian e Urtika
Por último, há que mencionar Armin Castellón, um dos mais jovens desenhistas bolivianos (de momento, ainda não tem sequer vinte anos) que, com seu irmão Alan, fundou a sua própria empresa de Banda Desenhada, a Antaku Studios.
Arte de Armin Castellon (Minjhosth)
E que os nossos pedantes governantes, sempre servilmente acocorados a Washington, não façam mais "patifarias" ao presidente Evo Morales da Bolívia, que ao menos neste país, a Banda Desenhada é respeitada e bem acarinhada.
LB
"El Rinoceronte", por Frank Arbelo
Arte de Susana Villegas
Arte de Álvaro Ruilova
Arte de Al-Azar

quarta-feira, 24 de julho de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (36)

CINQ ANS APRÈS - Edição Lombard. Com argumento de Michel Bom e arte de Sidney (aliás, Paul Ramboux), "Cinq Ans Après", é o 24.º tomo da série "Julie, Claire, Cécile".
Após cinco anos de ausência, estas três belas e azougadas garotas estão de volta. Já são umas mulherzinhas com responsabilidades, mas nada as faz mudar do rumo de se divertirem a catrapiscar os rapazes bonitotes para bons (nem sempre) momentos amorosos.
Plena de frescuras e ousados atrevimentos, esta série é muito divertida.

TABULA RASA - Edição Lombard. Argumento de Ozanam e arte de Joël Jurion. "Tabula Rasa" é o segundo tomo da enigmática série "Klaw".
O pequeno Ange Tomassini já aceitou a sua condição de "Dizhi", um ser meio-humano meio-animal, saído do zodíaco chinês. E tem sede de justiça, mesmo contra o seu mafioso progenitor. Mas, Ange, às vezes esquece-se, mesmo com a sua fúria justiceira, de um pequeno detalhe: é que o zodíaco chinês comporta doze signos...

LUXÚRIA - Edição Urban Comics. Argumento de Matt Fraction e arte dos irmãos gémeos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon. Obra: "Luxuria", primeiro tomo da série "Casanova".
Casanova Quinn, o personagem central, empolga-nos e diverte-nos com as barafundas, dúvidas e estranhas situações que o arrastam.
Com um argumento invulgar, porém bem imaginado, nele se demarca a arte de Gabriel e de Fábio, que tivemos o gosto de conhecer no Festival BD de Beja 2010, já então uns companheirões joviais e divertidos.

NAPOLÉON BONAPARTE / 2 - Edição Casterman. Série-biografia imaginada por Jacques Martin, tem como autores Pascal Davoz e Jean Torton.
Esta figura ímpar, Napoleão, prossegue a sua luta pela França e pelas suas ambições. Preso, liberto, apaixonado pela sua pátria e a sua carreira que se vai tornando cada vez mais gloriosa, por este álbum se registam as suas lutas contra os austríacos e a sua acção pelo Egipto. Uma série de leitura obrigatória, tanto mais porque está baseada em firme documentação.
Nota: foi no Egipto, na batalha naval de Abukir, que Napoleão viu, surpreso, naves portuguesas ao lado das inglesas, a combatê-lo. E terá dito então: " Portugal vai pagar com lágrimas de sangue a ofensa que está fazendo à França!".
E pagámos bem! Quem mandou Portugal, sempre servil à Inglaterra, ir atacar os franceses que nada tinham contra nós?

LA DERNIÈRE CONQUÊTE - Edição Casterman. Argumento de Géraldine Ranouil e arte de Marc Jailloux, segundo os personagens da série "Alix", criada pelo saudoso mestre Jacques Martin. "La Dernière Conquête" é o 32.º tomo da série.
Júlio César e Pompeu estão desavindos e estala a guerra civil. César envia Alix (e Enak, obviamente) em busca do lendário tesoiro de Alexandre Magno, sobretudo do seu anel que daria altos poderes a quem o usasse. Um pequeno e estranho reino numa região asiática pelas zonas dos actuais Afeganistão e Paquistão, guarda ferozmente um soberbo segredo. Este segredo será depois acordado entre Alix e o jovem rei Asham, após a derradeira conquista de... Alexandre Magno!
O melhor, leitores, é lerem este álbum. Vai uma aposta?

domingo, 21 de julho de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (15) - CISCO KID

O romancista norte-americano William Sydney Porter (1862-1910), que usou o pseudónimo O. Henry, escreveu, em 1907, a novela "The Caballer's Way", que teve grato sucesso na época. É aqui que aparece o famoso Cisco Kid.
O. Henry (1862-1910)
No entanto, aqui, ele é (ou era) um cruel fora-da-lei, apostado na violência e no crime.
É no Cinema, sobretudo no segundo filme, "In Old Arizona", realizado por Irving Cuimmings e Raoul Walsh, em 1928, que Cisco se vai transformando em herói, assemelhando-se na sua conduta ao lendário Robin dos Bosques.
E, pelo Cinema e pela Televisão, vários foram os actores que (talvez invejavelmente) viveram este sedutor personagem: Warner Baxter (norte-americano), Duncan Ronaldo (romeno), Gilbert Roland (mexicano), Cesar Romero (de origem cubana) até ao mais recente, em 1994, Jimmy Smits ( filho de mãe do Porto Rico e de pai do Suriname). Também a Rádío, em 1942, transmitiu um folhetim radiofónico com Cisco Kid.
É, porém, a Banda Desenhada que dá toda a notabilidade e popularidade a Cisco Kidjusticeiro e namoradeiro por excelência (toda a donzela se apaixona por ele), sempre apoiado pelo gorduchão e divertido Pancho e pelo tão fiel e inteligente cavalo Diabo.
Alberto Giolitti (1923-1993)
As primeiras abordagens deste herói da 9.ª Arte surgem nos primeiros tempos do anos 40, pelos grafismos "titubeantes" de John Giunta e de Bob Jenney. E ainda, muito mais marcante, pelo italiano Alberto Giolitti, que viveu vários anos na Argentina e que, mais tarde, também desenhou o "western" Tex.
Cisco Kid em "La Venganza de Cass Rankin", com desenho de Alberto Giolitti
(história publicada na revista mexicana "Domingos Alegres", n.º 296, de 29.11.1959)

O grande "boom" acontece, porém, em 1951!... A famosa organização-editora estado-unidense King Features Syndicate quis então criar uma série que rivalizasse com a de Zorro, que pertencia a uma organizadora-editora concorrente.
Reed e Salinas
Optando pelo já conhecido Cisco Kid, escolhe e contrata para a devida elaboração o argumentista Rod Reed e o brioso desenhista argentino José Luis Salinas (1908-1885).
Esta encantadora série-BD, na linha "western", durou de 15 de Janeiro de 1951 a 5 de Agosto de 1968.
A Arte esplendorosa de José Luis Salinas... a preto e branco.

Em Portugal, Cisco Kid conheceu, até hoje, apenas dois álbuns(?!), sob edição da extinta Edições Futura. No entanto, estreou-se a 12 de Abril de 1951, no n.º 81 do "Mundo de Aventuras".

Cisco Kid na Colecção "Antologia da BD Clássica", editada pela Futura,
nos anos 80, com desenhos de capa de Augusto Trigo e José Luis Salinas.

É também - necessário e pertinente registo... - nos anos 50 que a série começa a ser publicada semanalmente no suplemento "Notícias Infantil" (do matutino "Notícias" de Lourenço Marques - Moçambique), nas edições às quintas-feiras (a par da publicação de "Mundos Gémeos"). Na edição aos domingos, entre outros, publicavam-se, por exemplo, as séries Príncipe Valente, Tarzan, Capitão Águia, Flash Gordon... e, até, o Pato Donald!
Mas, entretanto, por este nosso Portugal, foi sendo editado, avulsamente e, por exemplo, nas revistas "Condor Mensal", "Colecção  Audácia", "Tigre", "Heróis Inesquecíveis" e "Jornal do Cuto".
Cisco Kid na "Colecção Audácia"

 
   

É lastimável que, em Portugal, este tão cativante herói-BD (como outros) não tenha sido editado com a devida atenção e o devido cuidado e respeito editorial, cronológico e integral, para se poder acompanhar de um modo menos desnorteado, o elegante e impecável grafismo de José Luis Salinas. Sobretudo no seu perfeito e deslumbrante traço na beleza do grafismo a preto-e.-branco. Não dêem cores a "Cisco" nem à impecável Arte de Salinas!
Viva Cisco Kid e... as suas garotas! E viva, José Luis Salinas!


Cartaz do filme "The Return of the Cisco Kid" (1939)

"Viva Cisco Kid", filme realizado em 1940, com Cesar Romero no papel principal

Episódio radiofónico n.º 49 de Cisco Kid: "Pancho and the Parrot" (06.01.1953)





quinta-feira, 18 de julho de 2013

PELA BD DOS OUTROS (6) - A BD DO URUGUAI

República sul-americana, o Uruguai faz fronteira com a Argentina e com o Brasil, tem Montevideu como capital e por moeda o peso uruguaio. Uma esmagadora maioria da população é de ascendência europeia. Tornou-se independente a 25 de Agosto de 1825. É o único país não lusófono onde o estudo da língua portuguesa é obrigatório, a partir do 6.º ano de escolaridade. Foi também o primeiro país das Américas a oficializar os casamentos homossexuais.
Com forte peso cultural nas mais diversas vertentes, a Banda Desenhada é aí bem marcada e activa. Um dos seus mais notáveis pioneiros foi Geoffrey Foladori (1908-1998), que assinava como Fola e seguia a linha humorística.
Tira de Fola
Alberto Breccia, o mais
internacional dos autores
uruguaios
No entanto, o talento mais internacional e notório, é Alberto Breccia (1919-1993), que cedo emigrou com a família para a vizinha Argentina.
Também com boa carreira internacional, regista-se Eduardo Barreto (1954-2011), tendo criado obra de vulto, nos últimos anos para a BD dos Estados Unidos, para onde emigrara. As causas da sua morte prematura nunca foram divulgadas. Pelo ano de 1973, foi publicada na revista uruguaia "Charoná", a sua narrativa-BD, "Magallanes", versando a épica viagem de Fernão de Magalhães... mas não nos consta, infelizmente, a devida documentação.
Arte de Eduardo Barreto
Outros valores marcantes da Banda Desenhada uruguaia, de veteranos a novos, são Alejandro Colucci, Daniel Puch, Matias Bergara, Diego Jourdan (actualmente a residir no Chile), Ignacio Calero, Renzo Vayra, José Maria Millet Lopez, Tabaré e Rolando Mallada.
Renzo Vayra, Matias Bergara e Diego Jourdan, três excelentes autores uruguaios
Muitos deles têm a sua obra também editada noutros países da América Latina e ainda, nos Estados Unidos, como o imparável Diego Jourdan, que igualmente já colaborou para a Inglaterra, França, Ucrânia, Índia e Austrália. Alejandro Colucci e Tabaré foram também publicados em Espanha.
Arte de Diego Jourdan
Excluindo Alberto Breccia, lastimamos bem que os demais e valorosos desenhistas uruguaios não tenham ainda sido publicados entre nós...
No Uruguai, há também uma associação de criadores de banda desenhistas e um animado festival da 9.ª Arte. 
Enfim, um invejável país sem crise!
LB

"Mort Cinder", por Alberto Breccia

Prancha de Renzo Vayra

"Julia", com argumento de Alceo, desenho de Matias Bergara e cor de Ismael Bergara

Arte de Ignacio Calero

"Ivy", personagem desenhado por Diego Jourdan

Arte de Tabaré

segunda-feira, 15 de julho de 2013

SÉRGIO MACEDO "SAIU DE CENA"

A pedido e exigência do próprio artista, foi retirado do nosso blogue tudo o que versava Sérgio Macedo, o que lamentamos. Mas... "saiu de cena"! Isto porque algumas indicações sobre ele não estavam correctas no primeiro post, muito embora tal exista nas fontes de pesquisa que procuramos e disso demos conta no segundo
post. 
Macedo optou por uma posição mais radical e pouco humilde, a nosso ver. Ele indica-nos mesmo: "Não aceito divulgação de informações inverosímeis sobre esta pessoa. Muito do que existe na web sobre mim é ridiculamente erróneo e fantasioso"...
Ignoramos se Sérgio Macedo (que continuamos sem qualquer recuo a admirar como artista) também se fez corrigir (ou apagar) por todos os sites da web...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CINEMA E BANDA DESENHADA - ASTÉRIX

É sempre  um risco e muito complicado passar a BD ao Cinema. Salvaguarde-se, com certa reserva, quando tais filmes têm argumentos propositados e não vêm de adaptações de BD's já existentes. É que, por norma, estas adaptações sofrem os caprichos "inventivos" dos realizadores...
Dois exemplos apenas: "O Príncipe Valente", realizado em 1954 por Henry Hathaway, era fraco, todavia aceitável; mas, "O Príncipe Valente", realizado em 1997 por Anthony Hickox, era pavoroso. Por sua vez, "Tintin e o Segredo do Licorne", realizado por Steven Spielberg em 2011 e que englobava com imensa deturpação os álbuns "O Caranguejo das Pinças de Oiro", "O Segredo do Licorne" e "O Tesoiro de Rackham, o Terrível"... deu num desastre repulsivo.
Vamos agora ao famosíssimo Astérix e todos os seus companheiros que, com actores - é apenas a este aspecto que me (LB) refiro, descartando intencionalmente as adaptações ao Cinema de Animação - conta com quatro filmes:
1999 - Claude Zidi realizou "Astérix e Obélix Contra César". Aparentemente, trata-se de um argumento original e demonstra-se (com vários defeitos) como um "cartão de visita" desta série-BD no Cinema.

2002 - Alain Chabat realizou ""Astérix e Obélix: Missão Cleópatra", tentativa de adaptar ao Cinema a narrativa "Astérix e Cleópatra". Mais ou menos, safou-se...

2008 - Frédéric Forestier e Thomas Langmann realizaram "Astérix nos Jogos Olímpicos", procurando acertar com a adaptação do álbum homónimo. Bem... como dizer?...

2012 - Laurent Tirard realizou "Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Magestade", jogando um tanto abusivamente com o título de uma das aventuras de James Bond e indicando que a fita se baseia na junção dos álbuns "Astérix Entre os Bretões" e "Astérix Entre os Normandos".
Resultado: o filme é um horror! Péssimo até dizer basta!...É chato e não tem ponta por onde se lhe pegue. Lastimo os euros que gastei ao comprar o respectivo DVD e lamento bem o tempo em que gastei as minhas já cansadas dioptrias a vê-lo.

Depois, há o elenco... Gérard Depardieu, sempre a fazer de Obélix nos quatro filmes, é impecável. Saltamos para a fita dos Jogos Olímpicos: esse actor de peso que é Alain Delon, compõe muitíssimo bem este Júlio César. O grande desastre vem no filme seguinte: a bela e talentosa Catherine Deneuve, numa bizarra Rainha Cordélia (caricatura mal disfarçada à actual rainha inglesa, Elizabeth II), passa o filme, nitidamente a "apanhar bonés"! Um verdadeiro insulto ao talento desta actriz francesa!... Catherine Deneuve deve ter um grande estofo e uma personalidade muito forte por não ter recusado participar ou... ou então, foi vilmente enganada pela produção-realização.
Gérard Depardieu, Alan Delon e Catherine Deneuve
Quanto ao Astérix, já apanhou três intérpretes: Christian Clavier (nos dois primeiros), Clovis Cornillac (no terceiro) e Edouard Baer (o pior, no mais recente ).
Hélàs!...
LB

Christian Clavier, Clovis Cornillac e Edouard Baer, os 3 Astérix's